Decisão gera revolta e levanta debate sobre privilégios e responsabilidade institucional
A Polícia Militar de São Paulo concedeu aposentadoria ao tenente-coronel Geraldo Rosa Neto, réu por feminicídio da própria esposa, mesmo com o processo criminal em andamento. A medida garante ao oficial remuneração na faixa dos R$ 20 mil mensais, gerando forte repercussão nacional.
A transferência para a reserva foi formalizada após solicitação do próprio militar e ocorreu poucos dias após sua prisão preventiva. Antes disso, ele recebia cerca de R$ 28 mil mensais, e a aposentadoria foi concedida com base em critérios legais da carreira militar.
O caso envolve a morte da policial militar Gisele Santana, inicialmente tratada como suicídio, mas posteriormente investigada como feminicídio. Laudos periciais, análise de celular e inconsistências na cena do crime levaram o Ministério Público a denunciar o oficial também por fraude processual.
Apesar da aposentadoria, o processo criminal segue em andamento, assim como procedimentos internos que podem resultar na perda da patente e até expulsão da corporação. A Polícia Militar afirma que a medida administrativa não interfere na responsabilização judicial.
Outro ponto que ampliou a repercussão foi a questão do pagamento: embora a aposentadoria tenha sido concedida com manutenção salarial, o valor pode ser suspenso enquanto o militar estiver preso, conforme regras administrativas.
O caso provocou indignação entre familiares da vítima e reacendeu o debate sobre possíveis distorções no sistema de benefícios das forças de segurança, especialmente quando envolvem agentes acusados de crimes graves.
A situação também levanta questionamentos sobre o equilíbrio entre garantias legais da carreira militar e a necessidade de resposta institucional mais rígida diante de casos de violência contra a mulher — especialmente quando praticados por agentes públicos.
Foto: Divulgação/ TV Globo