Eleito para encerrar o ciclo do regime militar, Tancredo passou mal na noite de 14 de março de 1985 e nunca chegou a assumir a Presidência
Na noite de 14 de março de 1985, o Brasil viveu um dos momentos mais dramáticos de sua história recente. Às vésperas de tomar posse como presidente da República, Tancredo Neves foi internado às pressas no Hospital de Base de Brasília após sentir fortes dores abdominais.
Tancredo havia sido eleito de forma indireta pelo Colégio Eleitoral e representava a esperança da redemocratização do país após mais de duas décadas de regime militar no Brasil. Sua posse estava marcada para o dia 15 de março de 1985 e era aguardada com grande expectativa por milhões de brasileiros.
Segundo relatos históricos, Tancredo vinha sentindo dores havia alguns dias, mas decidiu escondê-las por receio de que militares da chamada “linha dura” utilizassem sua condição de saúde como argumento para impedir a posse de um presidente civil. Determinado a assumir o cargo, ele teria dito a frase que se tornaria histórica: “Façam de mim o que quiserem. Depois da posse.”
A notícia da internação repentina abalou o país. Durante semanas, a população acompanhou com apreensão os boletins médicos e torceu pela recuperação do presidente eleito. Enquanto isso, o vice-presidente eleito, José Sarney, acabou assumindo o comando do país interinamente.
Após 38 dias de internação e diversas complicações de saúde, Tancredo Neves faleceu em 21 de abril de 1985, aos 75 anos. Sua morte provocou grande comoção nacional e marcou profundamente aquele que deveria ter sido o início de um novo capítulo político no Brasil.
Com o passar dos anos, o episódio também gerou diferentes teorias e especulações. A versão oficial aponta que o presidente eleito sofreu complicações decorrentes de um leiomioma (tumor benigno), agravadas por problemas médicos durante o tratamento, e não por um crime.
O episódio permanece na memória coletiva como um dos momentos mais simbólicos e emocionantes da transição democrática brasileira, período que marcou o fim do regime militar e o retorno do país ao governo civil.
Sigam nossas redes sociais no Facebook e no Instagram.
Reportagem: Márcio Prado — Portal de Notícias Legal